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ONU diz que encontrou muitas pessoas com feridas de balas em Gaza após tumulto durante ajuda humanitária

A afirmação foi feita na sexta-feira (1º), quando membros da organização visitaram cerca de 200 pessoas que estão em tratamento no hospital Al-Shifa. Foi a primeira vez que um comboio ONU chegou à região em mais de uma semana. Mortes de palestinos enquanto tentavam receber ajuda aumentam a pressão internacional por cessar-fogo em Gaza

Jornal Nacional/ Reprodução

Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram que encontraram muitas pessoas com ferimentos de bala após um tumulto durante a distribuição de ajuda humanitária em Gaza, na quinta-feira (29).

A afirmação foi feita na sexta-feira (1º), quando membros da organização visitaram cerca de 200 pessoas que estão em tratamento no hospital Al-Shifa. Na ocasião, a ONU distribuiu medicamentos, vacinas, combustível e atendeu os feridos no incidente da véspera.

Foi a primeira vez que um comboio da Organização chegou à região em mais de uma semana.

“Enquanto falo com vocês, este hospital está tratando mais de 200 pessoas que ficaram feridas ontem. Vimos pessoas com ferimentos de bala. Vimos amputados e vimos crianças de até 12 anos que ficaram feridas ontem", disse o chefe do subescritório de Ocha em Gaza, Georgios Petropoulos.

"Precisamos ter uma passagem segura por toda Gaza para chegar às pessoas que precisam de ajuda humanitária", acrescentou.

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O que aconteceu?

Tumulto durante distribuição de ajuda humanitária em Gaza deixa mortos e feridos

O tumulto aconteceu na quinta-feira (29) durante a distribuição de ajuda humanitária em Gaza e terminou com civis mortos e feridos.

O Exército israelense divulgou as imagens da multidão cercando um comboio com suprimentos no norte da Faixa de Gaza. O Hamas acusou Israel de ter matado mais de 100 pessoas e ameaçou abandonar as negociações para um cessar-fogo.

Um oficial militar israelense disse que houve dois incidentes distintos e que, em um primeiro momento, dezenas de palestinos teriam sido mortos ou feridos, pisoteados ou atropelados pelos caminhões.

Depois, soldados, se sentindo ameaçados, teriam disparado tiros de advertência para o ar e depois contra os que teriam se recusado a se afastar.

Imagens de corpos de pessoas que morreram na Faixa de Gaza em 29 de fevereiro de 2024

AP

À noite, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel afirmou que tanques que escoltavam os caminhões dispararam tiros de advertência para dispersar a multidão que tentava saquear os veículos. Depois, segundo ele, os tanques recuaram quando o cenário começou a ficar fora de controle.

"Nenhum ataque das Forças Armadas de Israel foi feito contra o comboio de ajuda humanitária. Ao contrário, o Exército estava lá coordenando uma operação humanitária para garantir a segurança e permitir que o comboio chegasse ao ponto de distribuição," disse Daniel Hagari.

Ele afirmou, ainda, que houve operações desse tipo nas últimas quatro noites sem registro de problemas.

Já o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que governa outro território, a Cisjordânia, criticou Israel pelo que chamou de "massacre feio”.

O chefe das Nações Unidas para os Direitos Humanos apresentou, em Genebra, um relatório sobre a situação nos territórios palestinos ocupados. Ao falar sobre a Faixa de Gaza, Volker Turk foi enfático ao dizer que todas as partes no conflito cometeram crimes de guerra.

Palestinos feridos na Faixa de Gaza em 24 de fevereiro de 2024

Mahmoud Essa/AP

"É hora -- na verdade, já passou da hora -- de paz, investigação e responsabilização”, disse o Alto Comissário.

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